BioRota acelera frete sustentável e corta custo

Cavalo Scania da BioRota, da Reiter Log, com os cilindros de biometano instalados atras da cabine

Iniciativa da Copersucar converte resíduos de cana em biometano para frotas de longa distância, cortando em até 90% as emissões de CO2 no transporte rodoviário

Transformar resíduos da produção de açúcar e etanol em combustível renovável para abastecer caminhões de longa distância é a proposta da BioRota, iniciativa da Copersucar que vem se consolidando como um dos principais projetos de descarbonização do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Mais do que substituir o diesel pelo biometano, a operação demonstra que a sustentabilidade também pode gerar ganhos econômicos quando toda a cadeia logística atua de forma integrada.

Criado em 2024 como um projeto piloto e hoje consolidada como operação comercial, a BioRota utiliza a vinhaça e a torta de filtro, resíduos gerados durante a produção sucroenergética, para produzir biogás por meio da biodigestão. Após a purificação, esse biogás é transformado em biometano, combustível renovável capaz de reduzir em até 90% as emissões de dióxido de carbono (CO2) em comparação ao diesel fóssil.

Segundo Rodrigo Lima, diretor de Operações e Logística da Copersucar, o projeto representa um exemplo de economia circular, já que todos os subprodutos do processo são reaproveitados. A vinhaça e a torta de filtro dão origem ao biometano e, após a biodigestão, retornam às lavouras como biofertilizantes, fechando um ciclo sustentável dentro da própria cadeia sucroenergética.

Além dos benefícios ambientais, a iniciativa apresenta resultados econômicos importantes. De acordo com Lima, o biometano chega ao mercado entre 20% e 30% mais barato que o diesel. Como o combustível representa aproximadamente 40% dos custos do transporte rodoviário, a substituição reduz significativamente as despesas operacionais das transportadoras.

Bitrem completo no porto: cavalo Scania a biometano com os dois implementos Facchini da Reiter Log

MENOS CUSTOS SEM EMISSÕES — Produtores de biometano o consideram uma solução para diminuir os custos do transporte com diesel comum e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões ambientais

Outro benefício é a menor exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo. Enquanto o diesel sofre impactos de crises geopolíticas e da necessidade de importação, atualmente o Brasil ainda depende de cerca de 20% de diesel importado para atender sua demanda, o biometano é produzido no próprio País, fortalecendo a segurança energética e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, o BioRota é considerado pela Copersucar a maior operação de transporte rodoviário de longa distância movida a biometano do mundo. Cerca de 74 caminhões já operam utilizando o combustível renovável, número que deverá ultrapassar 100 veículos ainda nesta safra. Os caminhões percorrem trajetos de até 700 quilômetros por trecho, totalizando aproximadamente 1.400 quilômetros entre ida e volta, demonstrando a viabilidade da tecnologia também em operações de longas distâncias.

Para alcançar esse resultado, foi necessário estruturar todo um ecossistema logístico. A produção do combustível nas usinas, a infraestrutura de abastecimento, a adaptação dos caminhões, o envolvimento das transportadoras e a participação das montadoras formam um conjunto de ações que tornam a operação economicamente viável e ambientalmente eficiente.

Uma das principais parceiras do BioRota é a Reiter Log, responsável por investir em infraestrutura própria de abastecimento e na adaptação da frota para operar com biometano. A empresa também desenvolveu sistemas próprios de abastecimento e ampliou a autonomia dos caminhões com a instalação de cilindros adicionais, conhecidos como “mochilões”, permitindo percorrer grandes distâncias com poucas paradas para reabastecimento.

Para Vanessa Reiter, vice-presidente de ESG da Reiter Log, a sustentabilidade só faz sentido quando está acompanhada de produtividade e eficiência operacional. Segundo ela, projetos de descarbonização precisam ser economicamente sustentáveis para garantir sua expansão. “Além da infraestrutura, a empresa investiu na capacitação dos motoristas, preparando-os para operar uma tecnologia ainda recente no transporte brasileiro e demonstrando que a mudança cultural também faz parte da transição energética”, explicou.

Sequencia de descarga pela traseira do implemento Facchini, com a placa Veiculo Longo de 25,50 metros

A integração entre todos os participantes da cadeia é apontada como um dos principais diferenciais do projeto. Usinas produzem o combustível, transportadoras investem em frota e infraestrutura, montadoras desenvolvem novas soluções para veículos movidos a gás, enquanto operadores logísticos estruturam toda a operação para garantir produtividade e competitividade.

O projeto também possui um amplo potencial de expansão. Atualmente, duas usinas da Copersucar produzem biometano, mas a meta é que as 42 unidades cooperadas estejam produzindo o combustível até 2036. Com isso, a produção diária poderá crescer dos atuais cerca de 100 mil metros cúbicos para até 4 milhões de metros cúbicos por dia.

AUMENTO DE PRODUÇÃO
A meta da Copersucar é expandir a produção de biometano das duas usinas atuais para as 42 unidades cooperadas até 2036, saltando para 4 milhões de m3/dia

Além de abastecer sua própria operação logística, a empresa pretende ampliar a oferta do biometano ao mercado, contribuindo para expandir a infraestrutura de abastecimento e acelerar a substituição de combustíveis fósseis no transporte rodoviário e também na indústria.

Para Rodrigo Lima, o BioRota comprova que a transição energética não depende apenas de um combustível mais limpo, mas da participação coordenada de todos os envolvidos na cadeia logística. “Quando produção, infraestrutura, transportadoras, fabricantes de caminhões e operadores logísticos trabalham de forma integrada, a sustentabilidade deixa de ser apenas um compromisso ambiental e passa a representar ganhos concretos de eficiência, redução de custos e competitividade para todo o setor de transporte”, destacou.

Texto: Daniela Giopato | Fotos: Divulgação

Votuporanga, 26 de agosto de 2026.

Fonte REVISTA TRANSPORTE MUNDIAL<br>ANO 23 | EDIÇÃO 226<br>Páginas 28 à 31

CONTINUE LENDO

OUTRAS NOTÍCIAS